"Prezados Leitores.

É com a maior satisfação que eu Jefferson Silva venho dedicar à vocês todo o meu esforço, fazendo uma coisa que eu amo: escrever boas-novas. Nesse conteúdo há assuntos relacionados à desportos, política e direitos. A minha decisão de criar o Blog, foi uma ideia inusitada, já que nos dias de hoje não se usa quase o caderno para escrever poesias, cartas ou mesmo bilhetinhos. Hoje, tudo é digital. Então, leiam e se interessados, sintam-se no sofá de casa e compartilhem."

Por: Doctor Jeffyz
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Futebol de Miller e a Era Tecnológica

Em meados do Século XIX, o futebol era uma paixão sem limites que fazia sorrir cada ser humano que tocava com os pés na bola. Na época, a bola era de couro, dura como pedra, pesada como chumbo, mas ela amaciava os "levianos do esporte" daquele tempo.
Charles Miller, paulista do Brás, filho de um operário ferroviário escocês (Sir John) e de uma mãe brasileira de ascendência inglesa (Carlota Fox), foi estudar na Inglaterra e quando voltou em 1894, trouxe consigo duas bolas de couro usadas, um par de chuteiras, uma bomba de encher bolas e um livrinho que continha as regras desse esporte. Quando o povo viu aquilo que Charles trouxera consigo e a paciência e vontade de ensinar aquele troço esquisito para um monte de operários que jamais houvera "brincado" com a "pelota", ficaram tão apaixonados que em pouco tempo, aquele esporte que era desconhecido, se tornaria uma paixão nacional.
O Sr. Charles não sabia que, a semente que ele havia plantado em terras tropicais fora tão fértil e cheia de vida, que, ele duvidou da capacidade do desenvolvimento daquele esporte por aqui. Porém, assim como nas periferias de hoje, diversos jovens e senhores, montaram seus próprios grupos e não demorou para aquele esporte se tornar oficial. Mas, como tudo tem uma consequência, aqueles barões da época que tinham mais dinheiro trataram de organizar tal esporte, ao ponto que, no primeiro Campeonato Paulista, em 1902, só times de elite deram o pontapé inicial. Eram os clubes: São Paulo Athletic Club, Club Athletico Paulistano, Sport Club Germânia, Sport Club Internacional e Associação Athletica Mackenzie College. Ali estava o marco inicial do futebol verde-louro. O esporte ganhou fama naquele tempo por ser altamente elitista, ao ponto que só estudantes universitários e bacharéis em direito podiam jogar o Football Paulista.
Os jornais e as tribunas da época falavam mais do que tudo nesse esporte e ele começou se espalhar por todos os lados do Brasil. Até que na Década de 10, começou a surgir times varzeanos, o futebol dos humildes camponeses, alfaiates, trabalhadores braçais. Por sua vez, o futebol elitista começava perder espaço para os varzeanos da época e insatisfeitos com o caminho que o esporte ia rumando, os clubes iam fechando as portas. O São Paulo Athletic Club foi um dos pioneiros dos esporte e um dos primeiros à abandoná-lo.
É justamente entre os anos 1905 e 1920 que nasce os clubes humildes que hoje fazem a história do futebol atual. Em 1906, nasceu o Club Athletic Ypiranga, o pioneiro da várzea que se transformou num gigante. Em 1910, nasceu o Sport Club Corinthians Paulista; em 1912, nasce o Santos Football Club; em 1914, nasce a Societá Sportiva Palestra Italia, o atual Sociedade Esportiva Palmeiras, e nasce também o Hespanha Football Club, o atual Jabaquara Atlético Clube; em 1917 nasce a Associação Atlética Portuguesa Santista; em 1919, nasce o São Paulo Railway Athletic Club, o atual Nacional Atlético Clube; em 1920, nasce a Associação Portuguesa de Desportos.
Esses clubes, aliados a outros pequenos que nasceram e morreram ao longo dos anos, foram fundamentais para a queda do elitismo no futebol e a propagação do profissionalismo que viria anos depois. Sr. Charles, ficou espantado com o que via. era time grande desaparecendo e time pequeno ficando adulto, jogador velho que se despedia e novos talentos que brotavam como água da fonte. Ao longo do tempo que se passava, a queda o elitismo era maior e, em 1929, depois de três décadas de glórias, com uma marca que duraria até os dias de hoje, o Club Athletico Paulistano, que era o maior dos elitistas do Brasil, não aceitou o advento ao profissionalismo e pendurou suas chuteiras, dando fim a uma carreira sensacional no esporte mais popular do "País Tropical". Foi aí que o amadorismo desapareceu e, à partir de 1933 o futebol se tornou um esporte profissional e livre para todas as classes do povo.
Passando esse filme, ainda em preto e branco com televisões tubulares de gabinete de madeira, de 1933, para os filmes em High Definition das telas planas de LED dos dias atuais, percebemos que a essência daquele football, com amor à camisa já não existe mais. Jogadores que antes jogavam o football só pra ver a alegria de um povo que era fanático por diversão após os duros trabalhos, hoje só jogam se receber salário, e muitas vezes recebem valores exorbitantes e não correspondem dentro de campo, afundando cada vez mais a equipe e afastando a torcida dos recintos desportivos. Acabou o "amor-à-camisa". Hoje só tem a sombra daquela alegria que Charles Miller trouxe para o Brasil. O dinheiro tomou conta das entidades, que quanto mais são maiores, mais repressão elas aplicam aos clubes de menores portes, que acabam indo à falência. A bola que antes era de capotão, maior, dura, rígida e pesada, hoje é de material sintético mais macio, leve, com chips embutidos, descrevendo que não estamos mais numa era contemporânea, mas sim numa nova era: a Era Tecnológica.

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